Esse texto é uma colaboração especial de uma autora convidada 💖 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem, necessariamente, a visão do No Mundinho do GL — mas adoramos abrir espaço pra múltiplos opiniões e perspectivas!
Uma explicação necessária
Por conta de The Loyal Pin ser uma série rica e complexa, este é um texto focará apenas comentários e observações sobre a narrativa de “The Loyal Pin”. Entretanto, não será possível abordar os aspectos culturais e históricos presentes na série, pois se o fizesse, o texto ficaria muito extenso. Assim, foi necessário dividir o texto e deixar para focar nestes aspectos em um outro texto que deverá ser disponibilizado em breve.
Também é importante salientar que, conforme ressaltado no texto, o objetivo aqui não é provocar supostas polêmicas a respeito da série. Trata-se apenas de reflexões pertinentes, nem sempre alinhadas à visão das espectadoras, sobretudo do fanservice de FreenBecky.
Ah, e em tempo: eu mesma sou muito fã de FreenBecky e amo “The Loyal Pin”. Ainda assim, tais reflexões incômodas são necessárias. Certamente, nem todas concordarão com algumas observações, por isso mesmo, sugiro que as considerem como um outro ponto de vista sobre esta série tão amada por todas nós.
FreenBecky

Quando se trata de FreenBecky, ou melhor, do ship composto pelas atrizes Freen Sarocha Chankimha e Rebecca “Becky” Patricia Armstrong, o GL que logo vem à mente é “GAP – The Series”. Afinal, é o GL que deu origem à indústria tailandesa do gênero. Além disso, como protagonistas da série, é possível afirmar que elas chegaram lá quando, literalmente, tudo ainda era mato. Mas este texto não é sobre “GAP” e sim sobre “The Loyal Pin”.
“The Loyal Pin” é uma série produzida pela Idol Factory e que contou com o financiamento do Ministério do Comércio da Tailândia, por intermédio do Departamento de Promoção do Comércio Internacional, a exemplo de ações semelhantes que já haviam ocorrido com séries boys love. Tal parceria, certamente, foi responsável pelos 16 episódios que compõem a série e que contam com a divulgação da culinária tailandesa. Outro ponto a se destacar é que a série é ambientada na Tailândia dos anos 1950.
Recentemente, a série rompeu a marca de 300 milhões de visualizações, conforme destacado em outra resenha publicada aqui mesmo no “No Mundinho do GL”. Atualmente, a série se aproxima dos 325 milhões de visualizações, conforme o sítio “The Loyal Pin (Series)”.
Locação Principal

Não é possível se falar de “The Loyal Pin”, sem mencionar o cenário da locação principal: a Than Heritage. Trata-se de uma propriedade de estilo colonial e que atualmente funciona como café e restaurante, o Wawa House, além de estar disponível para locações de eventos e filmagens.
A Than Heritage, também foi utilizada como locação em outras séries GLs como “GAP” e “Blank”, servindo em ambas as séries como residência da Honorável Lady Avó – que procurava controlar com mão de ferro as vidas de suas netas Nueng, Song e Sam. Atualmente aparece na série “Chasing Love” como residência da pesquisadora de alimentos Song e de sua avó. É interessante destacar que, nesta série, aparecem outros cômodos não exibidos nas séries citadas anteriormente.
As relações entre as personagens

A história gira em torno do romance entre a Princesa Anin (Becky Armstrong) e sua leal amiga e dama de companhia Lady Pin (Freen Sarocha). Elas se conhecem ainda criança, quando, após perder os pais em um temporal, Lady Pin se muda para o Palácio de Lótus à convite da Princesa Pattamika (Charm Irvin). A própria Princesa Pattamika, ainda quando pequena, também foi acolhida junto à realeza tailandesa. E pelo fato de ter sido acolhida pela mãe do Príncipe de Sawetawarit, este a considera como sua irmã mais nova.
No Palácio de Sawetawarit, mora o Príncipe (Apinan Prasertwattanakul) com sua família, composta pela Princesa Alisa (Laisuthruklai Alicia) com seus três filhos, Anan (Ohm Kanin), Anon (Danny Luciano) e Anin. Quanto aos irmãos de Anin, é preciso registrar a lealdade, a compreensão e o apoio de Anan.
Prik (Looknam Orntara) é a leal serva da Princesa Anin; enquanto que Pia (Ampere Suttatip) é a serva de Lady Pin. Posteriormente, Koi (Anna Maria Benedic) se junta à elas como a serva de Anin que a acompanhava na Inglaterra e volta com ela para a Tailândia.

Além disso, é preciso mencionar outros nomes que, apesar de secundários para a narrativa, interferem de modo significativo. Pranot (Poom Nuttapart) é colega da Princesa Anin na Inglaterra. Uengfah (Sarochinee Petampai) é prima da Princesa Anin por quem, aliás, nutre sentimentos românticos. Outra que nutre sentimentos por Anin é Aon (Prae Neilinyah). Por fim, há o Mestre Kuekiat (Victor Chatachawit, que interpreta o Pun, em “Somewhere Somehow”, o famigerado noivo de Peem), que, após muito perseverar, se torna noivo de Lady Pin. Aliás, ele só logra êxito em seu objetivo por contar com a simpatia e o apoio de Pattamika e do príncipe Anon.
Problematizando a relação entre Anin e Pin
Assim como outras séries que costumamos achar bonitinhas e engraçadinhas, “The Loyal Pin” também precisa ser problematizada. Em “Poisonous Love”, por exemplo, foi preciso se passar muitos panos para as investidas de Pat (Jayna Angelina) em relação à Prem (Ginny Natnicha). O que difere a situação entre estas duas histórias é a questão hierárquica. Não havia qualquer hierarquia entre Pat e Prem, pois elas não possuíam nenhum tipo de relacionamento antes de se conhecerem nem, tampouco, pertenciam à classes sociais diferentes.
No caso de “The Loyal Pin” esta hierarquia está presente e é bem explícita. Anin é uma princesa e vive no palácio com sua família. Lady Pin, por sua vez, é uma agregada acolhida por outra agregada, e vive em um palácio anexo construído no mesmo terreno.

Aliás, Anin se faz valer desta hierarquia ao lembrar que, por ser filha do príncipe, possui uma hierarquia mais alta do que Lady Pin – apesar desta ser um ano mais velha. Além disso, em vários momentos, Anin praticamente exige que Lady Pin venha lhe trazer comida e executar outros serviços – como uma massagem tailandesa. E é inegável que Anin se aproveita desta hierarquia para conquistar Lady Pin.
Entretanto, e essa ressalva é importante, tal fato diz respeito mais a aspectos culturais e históricos do que uma crítica aleatória e sem contexto à série. Por isso, registre-se: “The Loyal Pin” é uma das melhores séries tailandesas de girls love e deve estar, obrigatoriamente, em qualquer lista das amantes de GLs, bem como de quem ainda estiver se iniciando neste gênero.
Anin x Mestre Kuekiat

Apontado por Prik como o principal rival de Anin, Mestre Kuekiat se torna o alvo favorito da princesa. E o primeiro embate entre eles se dá em um torneio, supostamente amigável, de duplas mistas de tênis. Por sugestão da princesa Anin, Prik define os confrontos. E, naturalmente, que, após uma troca de olhares, Prik entende o pedido de Anin. Assim, o primeiro confronto é entre Anin e Pranot contra Lady Pin e Mestre Kuekiat.
O que deveria ser uma partida amistosa de tênis se torna uma batalha entre Anin e Mestre Kuekiat. Porém, o que os outros presentes não sabem é que Anin usaria o jogo para começar a acertar suas diferenças com seu rival tornando-o seu alvo sistemático. Assim, esta partida de tênis torna-se um episódio de humilhação pública para o Mestre Kuekiat.
Em outro momento, Anin faz valer seu conhecimento de que Mestre Kuekiat faz parte de um ministério e que estaria em horário de expediente quando veio convidar Lady Pin para ser seu par em um evento e, novamente, o humilha.
Anin contará ainda com o apoio de Prik para desmascarar Mestre Kuekiat. E aqui é preciso ressaltar que Looknam – a atriz que a interpreta – tem tido marcantes papeis de conciliação não apenas para as personagens interpretadas por Freen Sarocha e Becky Armstrong como também para Fay Kunyaphat e May Yada – no primeiro caso, em “GAP” e, no segundo, sobretudo, em “Somewhere Somehow”. Mas isso é assunto para outro texto.
Lady Pin x Uengfah E Aon
Por outro lado, Lady Pin sente um ciúme gigantesco da proximidade da princesa Anin com sua prima Uengfah. Este sentimento é expresso toda vez em que se reproduz o bramido de um elefante. São exatamente através destas sequências, durante a primeira parte da série, que fica evidenciado o amor romântico de Lady Pin pela princesa Anin.
Há, ainda, Aon, ex-colega da princesa Anin, que também será vista como rival por Lady Pin. Ainda mais, após esta confessar que Aon tentou conquistá-la enquanto estavam na Inglaterra…
Atrizes Mirins de Loyal Pin

Não há como se falar em “The Loyal Pin” sem mencionar as atrizes Nina Nutthacha e Napa Ravinnapa que interpretaram as versões infantis de, respectivamente, Anin e Pin. Além de serem fofas, ambas desempenharam muito bem os seus papeis e construíram uma base sólida para a fase adulta interpretada por Becky Armstrong e Freen Sarocha. Portanto, é inegável que a atuação delas foi muito importante para um desenvolvimento harmonioso da série.
Uma série que entrou para a história dos GLs
Após todas estas reflexões, é fácil perceber porque “The Loyal Pin” é uma série que entrou para a história dos GLs. Além de uma excelente história, a série possui todo um contexto cultural entrelaçado com a Tailândia dos anos 1950. E, ainda assim, entrega cenas intensas entre as personagens de FreenBecky. Porém, mais do que certo erotismo que a série possa carregar, “The Loyal Pin” beira à perfeição e, por isso mesmo, é tão exaltada pelas fãs de GLs.
Ah, sim, e o mais importante: “The Loyal Pin” é o que é, pois FreenBecky é FreenBecky porque é FreenBecky.
REFERÊNCIAS
My Drama List: https://mydramalist.com/777193-the-loyal-pin-uncut
The Loyal Pin: https://theloyalpinseries.com/
Wikipédia: https://en.wikipedia.org/wiki/The_Loyal_Pin
Esse texto é uma colaboração especial de uma autora convidada 💖 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem, necessariamente, a visão do No Mundinho do GL — mas adoramos abrir espaço pra múltiplos opiniões e perspectivas!
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