Fulfill é o GL conforto que você talvez tenha deixado passar

Fulfill GL

Esse texto é uma colaboração especial de uma autora convidada 💖 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem, necessariamente, a visão do No Mundinho do GL — mas adoramos abrir espaço pra múltiplos opiniões e perspectivas!


Escrito por Milene Vieira

O Ch3 vinha de uma sequência de GLs que não me agradaram muito. My Safe Zone dependia bastante da química do casal protagonista, Play Park sofria com diversos problemas de roteiro e, Only You, nunca nem terminei.

Foi justamente por isso que Fulfill me surpreendeu tanto.

Esse GL quebrou as expectativas relativamente baixas que eu havia criado e entregou uma história simples, madura e sincera sobre Aioon (Oom Eisaya) e Fun (Bam Saralee), um casal recém-casado tentando lidar com os desafios reais da vida compartilhada. O primeiro episódio já mostrava que a série seria divertida, mas foi a partir do segundo que ficou claro que havia algo a ser dito, e Fulfill soube dizer isso muito bem.

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Quando o romance começa depois do final feliz

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A maioria dos GLs acompanha a jornada da conquista: o despertar dos sentimentos, os obstáculos, os desencontros e, finalmente, o momento em que as protagonistas ficam juntas. Fulfill escolhe seguir por outro caminho. A história começa depois do “sim”, depois do final feliz. O foco está no que acontece quando a história de amor já foi conquistada.

Aqui, o amor já venceu. Nós não acompanhamos tudo o que Aioon e Fun enfrentaram para construir aquela vida juntas, mas entendemos que esses obstáculos existiram. O diferencial de Fulfill é justamente mostrar o que vem depois.


Os desafios da vida compartilhada

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E o que vem depois são os desafios da vida compartilhada. Conflitos que não nascem de grandes reviravoltas ou de vilões, mas de situações cotidianas: dinâmicas familiares complicadas, duas mães que não conseguem se dar bem, ciúmes, pressões externas que levam a promessas esquecidas e pequenos mal-entendidos que parecem muito maiores do que realmente são. Uma esquece o macarrão que prometeu; a outra começa a se perguntar se foi esquecida também. Um banheiro molhado, um amigo de infância desrespeitoso que ultrapassa limites e até mesmo uma perda devastadora aparecem ao longo da trama.

Mas nada disso se torna o centro da narrativa. O foco permanece na parceria entre Aioon e Fun. Elas conversam. Elas se apoiam. Elas lutam uma pela outra. Fazem concessões quando necessário e oferecem suporte quando a outra mais precisa.


Humor, cumplicidade e química natural

Um dos grandes acertos de Fulfill é a forma como o humor está constantemente presente na história. Mesmo quando aborda situações difíceis, a série nunca perde sua leveza. E boa parte disso vem da dinâmica entre Aioon e Fun. Os pequenos caprichos de Fun, somados à forma como Aioon parece adorar atendê-los, criam momentos muito divertidos.

Existe um conforto muito grande em assistir a esse relacionamento porque ele soa real. Elas realmente parecem um casal casado. O humor surge naturalmente da convivência diária, da intimidade construída ao longo do tempo e dos hábitos que desenvolveram juntas. E isso funciona justamente porque percebemos cumplicidade, carinho e reciprocidade entre as duas.

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A construção de uma família sem estereótipos

Outro aspecto particularmente interessante de Fulfill é sua abordagem da parentalidade. O roteiro trata a possibilidade de Aioon e Fun construírem uma família sem transformar sua orientação sexual em um debate ou em um obstáculo narrativo. A história não se interessa em justificar a existência daquela família, mas simplesmente em retratá-la.

A série mostra essas mulheres sendo mães, amando, educando, enfrentando problemas cotidianos, lidando com os medos que surgem ao criar outro ser humano e seguindo em frente. A construção dessa família é tratada com uma delicadeza que encontra força justamente na sua normalidade.


Um lembrete de que amar também é permanecer

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Em um gênero tão acostumado a contar histórias sobre se apaixonar, Fulfill escolhe falar sobre permanecer e funciona como um lembrete gentil de que o amor também é uma escolha diária. Ver duas mulheres construindo um lar e uma família com tanta leveza, cumplicidade e verdade foi uma experiência muito bonita.

Existe algo muito especial na forma como essa história celebra não apenas o amor, mas também a família e os laços que escolhemos construir ao longo da vida.


Vale a pena assistir Fulfill?

Se Fulfill passou despercebido por você, talvez valha a pena dar uma chance. Principalmente se você gosta de romances leves, procura um GL confortável, sem grandes sofrimentos, aprecia casais com ótima química e quer assistir a uma história fofa, emocionalmente envolvente, bem construída e que deixa o coração quentinho quando termina.


Esse texto é uma colaboração especial de uma autora convidada 💖 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem, necessariamente, a visão do No Mundinho do GL — mas adoramos abrir espaço pra múltiplos opiniões e perspectivas!

Escrito por: Milene Vieira

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