Esse texto é uma colaboração especial de uma autora convidada 💖 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem, necessariamente, a visão do No Mundinho do GL — mas adoramos abrir espaço pra múltiplos opiniões e perspectivas!
Escrito por Larissa Gonçalves
Muito além de uma história de família
Para aquelas que estão acompanhando 4 Elementos, vocês já repararam que as novels e, principalmente, a série não estão apenas narrando a história de uma única família? Elas também parecem estar brincando com os conceitos narrativos que por décadas presenciamos no cinema e tv — que nos apaixonamos, mas nos quais não necessariamente nos sentimos representadas.
Não sei se as leitoras estão acostumados com os filmes antigos da Hollywood Clássica, daqueles da década de 40 e 50, ou com os faroestes, onde as ‘heroínas’ eram sempre retratadas como figuras a serem protegidas pelo ‘Herói Solitário’ — que muitas vezes via nela a sua redenção. Junto com o romance, há sempre um perigo maior a ser combatido e, se existir outra figura feminina com um pouco mais de personalidade, ela provavelmente será a antagonista.
The Earth: O Herói Solitário Ganha uma Família

Desse ponto de vista, The Earth — ou, como gostamos de chamar, ‘as terrinhas’ — pega todos esses estereótipos, mantém a essência e os subverte. O herói solitário ganha uma família. A heroína, além de sentir culpa pela tragédia, decide se solidarizar com a antagonista, que também se sacrifica ao final, recebendo um pequeno arco de redenção que não acontece através da morte, como no conceito clássico. Até o conflito do tráfico, que é algo muito grande, se torna um problema local por estar dentro da estrutura.

Din não irá salvar o mundo, mas sim quem ela ama e, de praxe, a sua comunidade. Rose não chega para preencher um vazio, pois a Din nunca foi solitária; essa é a grande subversão em relação a esse tipo de herói que é solitário e dono da verdade. Din tem família, escuta, aguarda e respeita Rose para que ela tome suas próprias decisões.
The Water: Mulheres em Busca de Autonomia
A mudança para os anos 60 e 70
Em The Water, evoluímos a estrutura narrativa para as décadas de 60 e 70. O interior abre espaço para o mundo corporativo, e temas sociais do pós-guerra, como o machismo, começam a tomar conta das narrativas. As heroínas femininas começam a buscar um espaço para ir além de ser um rostinho bonito ou ter como objetivo principal ser salva, período em que séries de TV como Mulher Maravilha e As Panteras começam a surgir.
Chonlada e a construção da própria identidade

Não à toa, o livro — e isso é ainda mais ressaltado na série — é uma história muito mais sobre a Chonlada encontrando sua autonomia e autoestima do que sobre seu relacionamento com a Nam (com exceção do episódio 8, e obrigada por isso!). Como foi satisfatório ver a Charlotte dirigindo um carro na metade do episódio 7, especialmente quando lembramos que, para a personagem, isso era proibido pelo simples fato de ser a filha mulher.
A história segue um clichê tão grande que a Lada vai trabalhar até mesmo como secretária — ou melhor, assistente da secretária da Nam. E assim como as protagonistas dessa época, à primeira vista ela surge como uma heroína clássica: guarda-segredos, caótica, inteligente e, obviamente, chamando atenção por sua beleza (afinal, ainda estamos na década de 70).
A grande subversão de Nam

Mas, assim como aconteceu com a Din, quem subverte o clichê aqui é a Nam que — e aqui vai o maior spoiler de todos — ela sempre soube de tudo. O conflito delas não nasce daquela velha fórmula da pessoa inteligente se sentindo enganada, com a Lada correndo atrás para se explicar; pelo contrário, a subversão da trama vem do fato de que ela sempre soube o grande segredo, compreendeu e se apaixonou por alguém que resolveu, de fato, conhecer e entender os motivos de sua decisão. No fim das contas, é a Nam — a CEO que preza pela eficiência — quem precisa engolir sua arrogância, correr atrás, pedir ajuda e se desculpar.

The Air: Os Contos de Fadas dos Anos 80 e 90
O amor pelo improvável

Os filmes desse período apresentaram heróis brucutus e indestrutíveis, além de premissas absolutamente absurdas na comédia como Júnior, Um Tira no Jardim de Infância e Irmãos Gêmeos — isso para citar apenas os do Arnold Schwarzenegger. É exatamente aí que a trama de The Air se situa. Convenhamos: se a gente parar para pensar muito, a história não faz o menor sentido. Mas, se pensarmos bem, a de O Guarda-Costas também não fazia. Nesse mundo, o legal é se apaixonar pelo improvável e acreditar no impossível; por isso, esta é a narrativa mais próxima de um conto de fadas, com direito a um herói imbatível. Não me surpreenderia se, para salvar a sua princesa, a Lom derrubasse um helicóptero com uma única bala, se a trama assim exigisse.
Lom e o anti-príncipe encantado

E aqui preciso abrir um parênteses para um desenho animado lançado em 1994, A Princesa Encantada (The Swan Princess). Nele, somos apresentados ao príncipe Derek e à princesa Odette, que são prometidos um ao outro desde a infância. Os anos passam, Odette se torna uma mulher linda — a verdadeira joia da coroa de seu reino — e Derek, ao ver essa transformação, jura que seu amor é verdadeiro. Porém, quando ela sofre uma maldição e uma impostora idêntica aparece no castelo, o que nosso “príncipe” faz? Jura amor eterno à falsa princesa na frente de todo o reino, condenando a verdadeira à morte, — animações da década de 90, realmente não se fazem mais. Pois bem: a Lom é o perfeito anti-Derek, e está aqui a sua subversão. Ela reconhece a sua princesa pelo olhar. No fim das contas, a nossa heroína imbatível — que, como a série deixa bem claro, é uma casanova de marca maior — mas é sensível o suficiente para enxergar muito além da aparência.
The Fire: A Próxima Fogueira Está Chegando

E bem, chegamos a The Fire. Com ela, caímos na fogueira direto das problemáticas comédias românticas do final dos anos 90 e início dos anos 2000… Mas esse capítulo aí a gente abre mais tarde!
Esse texto é uma colaboração especial de uma autora convidada 💖 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem, necessariamente, a visão do No Mundinho do GL — mas adoramos abrir espaço pra múltiplos opiniões e perspectivas!
Escrito por: Larissa Gonçalves








