Novels, GL e fanfics: Mulheres Sáficas no Centro de um Mercado

Novels GL Tailandes

Esse texto é uma colaboração especial de uma autora convidada 💖 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem, necessariamente, a visão do No Mundinho do GL — mas adoramos abrir espaço pra múltiplos opiniões e perspectivas!


16 minutos

Sáficas vão às compras – e transformam desejo em bilhões.

De yuri japonês a Loquinha na Globo, esse ecossistema prova que nosso amor é rentável. 

Vamos entender como chegamos aqui? Girls’ Love (GL) transformou romances sáficos em ecossistema global, de novels asiáticas a séries explosivas e fanfics. Este artigo traça o circuito: origem, novels, GAP, Tailândia, fanfics e reverberações como Loquinha.

1. O que é GL e por que esse nome aparece em todo lugar?

Onde-Assistir-GL-Tailandes-1024x564 Novels, GL e fanfics: Mulheres Sáficas no Centro de um Mercado

GL, sigla para Girls’ Love, é o rótulo usado para designar obras de entretenimento focadas em relações românticas ou afetivas entre mulheres, sobretudo em produções asiáticas modernas como doramas, webnovels e webtoons. O termo nasce no Japão, como um “espelho” do Boys’ Love (BL), e se relaciona diretamente com o gênero yuri, que já descrevia mídias centradas em intimidades entre personagens femininas muito antes de o mercado internacional descobrir essas histórias.

Enquanto yuri aparece com mais frequência no contexto de mangás e animes, GL se populariza como etiqueta para dramas live action, romances e webnovels, ajudando o público a identificar rapidamente que se trata de um romance sáfico. Essa nomeação não é neutra: ela transforma o amor entre mulheres em categoria de produto, algo que pode ser comprado, vendido e explorado comercialmente, assim como qualquer outro gênero de entretenimento.

Historicamente, essas narrativas têm raízes na literatura lésbica japonesa do início do século XX, com autoras como Nobuko Yoshiya, que já escreviam sobre vínculos intensos entre mulheres e ajudaram a sedimentar temas e tropos que o yuri e o GL utilizariam mais tarde. Quando o rótulo Girls’ Love surge e se consolida a partir dos anos 2000, ele herda essa tradição, mas a embala em uma linguagem de mercado global, posicionando o romance sáfico não só como expressão de identidade, mas também como nicho de consumo.

2. Das páginas para a tela: a era das novels GL

Novels-1024x296 Novels, GL e fanfics: Mulheres Sáficas no Centro de um Mercado
Entre no grupo do Telegram para ter acesso a todas as novels de GL Tailandês

O coração do fenômeno GL contemporâneo está nas novels – especialmente webnovels, publicadas de forma seriada em plataformas digitais, com capítulos frequentes e feedback direto do público. Autoras, em sua maioria independentes, constroem universos, ships e dinâmicas afetivas que rapidamente formam comunidades, antes mesmo de qualquer adaptação audiovisual entrar em cena.​

Essas histórias seguem uma lógica próxima à do BL: primeiro conquistam leitoras em sites e aplicativos, depois chamam atenção de editoras e, por fim, de produtoras interessadas em adquirir os direitos para adaptação em série ou filme. Em alguns casos, a popularidade online é tão grande que a obra “gradua” para edição em formato físico, como light novel ou romance tradicional, consolidando a propriedade intelectual (IP) e abrindo portas para outras explorações comerciais.​

Quando uma novel GL é adaptada, o que vemos na tela é sempre um segundo texto: roteiristas condensam arcos, reordenam eventos, adicionam ou removem conflitos, suavizam cenas de sexo ou conteúdos considerados sensíveis, especialmente em mercados com censura mais rígida. Esse processo gera dois cânones em paralelo – o cânone da novel e o cânone da série – que o fandom passa a comparar, comentar e disputar, cenário ideal para o surgimento de fanfics, meta e análise crítica.​

As produtoras adoram comprar novels GL porque já sabem se vai dar certo. Elas olham quantas pessoas leram os capítulos na plataforma online (tipo JJWXC, Readomo, ou apps tailandeses), quantos comentários animados rolaram, se tá nos trends. É pesquisa de mercado grátis e gigante!

Ao invés de inventar uma história do zero, elas pegam uma webnovel que já conquistou milhares de fãs e transformam em série. Funciona assim na prática:

  • Autora posta capítulos na internet (webnovel)
  • Fãs piram, história viraliza
  • Vira livro impresso
  • Produtora compra os direitos e adapta pra TV
  • Fandom leva para o próximo nível com fanarts e fanfics

Onde Ler Novels GL tailandesas

Apoie as escritoras e leia as Novels através de mídias oficiais – Compre na Amazon

Também você pode entrar no grupo do Telegram para ter acesso a todas as dicas de GLs e Novels para ler

3. GAP the Series: quando o romance sáfico vira prova de mercado

Gap-The-Series-Onde-Assistir-1024x576 Novels, GL e fanfics: Mulheres Sáficas no Centro de um Mercado

Nesse contexto de novels e adaptações, GAP the Series ocupa um lugar simbólico muito específico: o de primeiro GL tailandês a explodir internacionalmente, alcançando milhões de visualizações e um fandom global extremamente barulhento. A série, baseada em uma novel, nasce em um momento em que o BL tailandês já tinha pavimentado caminho, mas o romance sáfico ainda era tratado como aposta arriscada.​

O desempenho de GAP – audiência massiva em plataformas abertas, repercussão em redes sociais, fanbase internacional ativa – funciona como estudo de caso ao vivo de que existe um mercado sólido para romance entre mulheres. Ao lado disso, reportagens e matérias sobre o crescimento de romances sáficos em livro, que viram best-sellers e ganham destaque em listas e redes sociais, reforçam a ideia de que o público sáfico não é um nicho “minúsculo”, mas um segmento consumidor consistente.​

É aqui que entra a noção de fase de amadurecimento: primeiro, GAP atua como “descoberta”, mostrando que há apetite global por GL e rompendo a percepção de que só BL “vende”. Em seguida, vem a “expansão”, quando outras produtoras e plataformas começam a experimentar suas próprias séries GL, ainda de forma desigual, tentando replicar a fórmula de engajamento. Hoje, caminhamos para uma etapa em que o GL passa a ser incluído com mais regularidade em catálogos, line-ups e grades, como segmento fixo, não como exceção curiosa.

4. FreenBecky e o poder econômico das mulheres sáficas

FreenBecky-novas-produtoras-1024x669 Novels, GL e fanfics: Mulheres Sáficas no Centro de um Mercado

Dentro da história de GAP, Freen Sarocha e Becky Armstrong não são apenas protagonistas: elas se tornam um par de estrelas cuja imagem movimenta eventos, campanhas de publicidade, vendas de produtos e um circuito inteiro de fanmeetings e convenções. O casal FreenBecky vira marca, com fanbases que organizam projetos, compram ingressos, viajam para encontrá-las e sustentam um engajamento contínuo, muito depois do final da série.

Essa dinâmica é fundamental para consolidar o GL como mercado: quando investidores veem que um casal sáfico gera retorno comparável ao de grandes ships BL – em visualizações, trending topics, venda de merch e eventos presenciais – o romance entre mulheres deixa de ser tratado como “risco de imagem” e passa a ser encarado como oportunidade. Em outras palavras, FreenBecky funcionam como prova viva de que há dinheiro a ser mobilizado em torno de histórias centradas em mulheres sáficas.​

Ao mesmo tempo, matérias sobre romances sáficos em literatura destacam como essas narrativas começam a virar best-sellers, impulsionadas por comunidades online e plataformas como TikTok, onde leitores recomendam histórias WLW uns aos outros, gerando picos de venda. Esse cruzamento – GL na TV e streaming, romances sáficos em livro, casais como FreenBecky em campanhas globais – revela que mulheres sáficas e leitores interessadas em WLW formam um público com poder econômico significativo, por muito tempo subestimado pelas indústrias ocidentais.​

Durante décadas, produções ocidentais trataram personagens sáficas como exceção, alívio cômico ou tragédia inevitável, o que se refletiu em pouca oferta de produtos pensados especificamente para esse público. Quando o GL asiático e os romances sáficos ganham visibilidade e começam a render lucro, fica evidente que não faltava demanda – faltava investimento e vontade de reconhecer esse grupo como mercado relevante.​

Novels, GL e fanfics: Mulheres Sáficas no Centro de um Mercado

Sáficas vão às compras – e transformam desejo em bilhões. De yuri japonês a Loquinha na Globo, esse…

Amores e Amores: toxicidade no fandom FreenBecky e os limites entre amor e posse

O amor dentro de um fandom é uma força poderosa. Ele pode construir comunidades, inspirar criações e…

FreenBecky, Freen Sarocha e Becky Armstrong, quem decide? Elas (sempre)

Quando “liberdade artística” vira outro tipo de controle  Há uma narrativa que vem se…

5. Fanfic: quando o fandom assume a história

Captura-de-Tela-2026-02-04-as-08.56.16-1024x541 Novels, GL e fanfics: Mulheres Sáficas no Centro de um Mercado

Leia a Fanfic: E se o verão não acabar

Nesse ecossistema de novels, séries e estrelas, as fanfics formam a terceira camada de narrativa: são histórias ficcionais criadas por fãs a partir de universos e personagens já existentes, publicadas em plataformas digitais como Wattpad, AO3, Spirit e semelhantes. Nelas, pessoas comuns se apropriam de tramas, ships e cenários para escrever finais alternativos, explorar cenas que “faltaram” ou simplesmente transportar o casal favorito para outros contextos, os famosos AUs (universos alternativos).

A definição é simples: fanfic é ficção de fã, uma narrativa que se apoia em obras já conhecidas – livros, filmes, séries, animes, jogos, celebridades – para criar algo novo, sem vínculo oficial com os detentores do copyright. No caso das GLs, essas histórias costumam cumprir funções muito específicas: continuação de séries que acabaram, “conserto” de finais insatisfatórios, ampliação de cenas de intimidade que foram cortadas ou suavizadas na adaptação e protagonização de personagens secundárias queridas, que nunca terão espaço no cânone.

Essa atividade não é apenas um hobby isolado; ela se insere no que Henry Jenkins chama de cultura participativa: um contexto em que fãs deixam de ser apenas consumidores passivos e passam a atuar também como produtores, remixadores e divulgadores de conteúdo. Em vez de aceitar a história “como veio”, o público GL escreve, compartilha e discute, usando fanfics para experimentar possibilidades que o mercado, por motivos comerciais ou censórios, não ousa explorar.

Quando pensamos o fandom GL como parte dessa cultura de convergência, percebemos que as fanfics funcionam quase como um laboratório de demandas: a insistência em determinados temas – finais felizes, relacionamentos mais saudáveis, corpos diversos, personagens mais velhas, famílias escolhidas – indica com clareza o que a audiência gostaria de ver nas novels e séries oficiais. Em um mercado em amadurecimento, ignorar esses sinais equivale a deixar dinheiro e inovação narrativa na mesa.

Leia a Fanfic: E se o verão não acabar

6. GL, mercado e agência narrativa sáfica

Amarrando todos esses pontos, o circuito GL atual se desenha mais ou menos assim: autoras criam novels que capturam desejos e experiências sáficas, essas obras são adaptadas em séries que testam seus limites entre censura e mercado, casais como FreenBecky transformam essas narrativas em fenômenos globais e o fandom, por sua vez, responde com fanfics, análises e pressão por mais e melhor representação.​

O estrondoso sucesso de GAP the Series e de seu casal protagonista mostra que romance entre mulheres não é apenas uma questão de representatividade simbólica, mas também um nicho econômico robusto, com público disposto a investir tempo, atenção e dinheiro. Ao mesmo tempo, a vitalidade das fanfics revela que, mesmo dentro desse mercado em amadurecimento, fãs sáficas ainda sentem falta de certos tipos de história, e por isso assumem o papel de narradoras de si mesmas.​

Entre a tradição do yuri, as novels GL contemporâneas, o boom de séries como GAP e o universo das fanfics, o que vemos é um movimento maior: mulheres e pessoas sáficas negociando com a indústria, mas também contornando seus limites, para garantir que suas histórias existam – não apenas como exceção trágica, e sim como romances centrais, desejáveis e rentáveis.

7. Tailândia como epicentro e o caminho para o Ocidente

Tailândia se consolida como epicentro inicial desse mercado GL, transformando produções como GAP em alavanca para soft power cultural que exporta não só histórias, mas também turismo e imagem global. Com mais de 40 GLs em produção para 2026 – incluindo line-ups da GMMTV como Ditto (MilkLove), Bake Love Feeling (ViewMim) e Hers (NamtanFilm), além de Channel 7 e iQIYI –, o país demonstra escala industrial.

Essas séries impulsionam o turismo tailandês, com fãs visitando locações de filmagem e impulsionando a economia LGBTQ+ friendly do país, similar ao impacto das BLs que já geram bilhões de baht anuais. É soft power puro: entretenimento queer que atrai visitantes, promove gastrodiplomacia e posiciona a Tailândia como hub asiático de narrativas sáficas.

Essa expansão cultural asiática ecoa o fenômeno K-pop, que começou regional e conquistou o Ocidente com crescimento explosivo de 44% em exportações, inspirando grupos locais e dominação global. O mercado ocidental já prospecta GLs da mesma forma, com plataformas globais dubladas e investimentos crescentes, abrindo caminho para reverberações como adaptações ou originais híbridos.

No Brasil, o reflexo é imediato e concreto: Globo aposta em Loquinha (Lorena de Alanis Guillen e Juquinha de Gabriela Medvedovski), spin-off vertical derivado da novela das 9 Três Graças, com estreia no 1º trimestre de 2026 no Globoplay e redes sociais. Nasceu como romance secundário, mas virou fenômeno com engajamento internacional (fãs italianas, americanas, britânicas), superando casais principais em buscas e interações, o que levou à aprovação de 40+ capítulos inéditos em formato microdrama, com novos conflitos como antagonismo familiar e pedido de casamento já no cânone original. Essa é a primeira “novelinha” GL oficial da Globo, sem par fixo pré-definido na novela-mãe, testando demanda local em formato vertical para redes – um marco que dialoga diretamente com o boom asiático.

8. Os ships fixos: herança do BL que turbina o comércio

atrizes-de-gl-1024x576 Novels, GL e fanfics: Mulheres Sáficas no Centro de um Mercado

O que são ships fixos? 

São pares de atores/atrizes que viram “oficiais” para papéis românticos juntos, tipo FreenBecky, MilkLove ou NamtanFilm. A ideia veio direto do sucesso das séries BL tailandesas, onde casais como GeminiFourth ou PondPhuwin começaram a fazer múltiplas histórias amorosas.

Como funciona? 

A produtora junta duas pessoas com química comprovada e as coloca em várias séries, eventos e campanhas. O público não torce só pela história – torce pelo casal real, criando laços emocionais profundos que duram anos. No GL, isso pegou fogo: FreenBecky saiu de GAP e virou fenômeno global com fanmeetings lotados (inclusive no Brasil!), músicas juntas, capas de revista e contratos publicitários.

Por que facilita os produtos pós-série?

  • Fanmeetings e shows: Fãs pagam caro pra ver o casal ao vivo cantando, dançando ou respondendo perguntas. É como a magia transportada das telas para consumo dos fãs, o amor “nosso”.
  • Merch oficial e fanmade: Camisetas, photocard, chaveiros, pôsteres com o ship (Shopee e AliExpress vendem toneladas).
  • Músicas e trilhas: Casal lança single oficial da série, que vira hino do fandom e toca em todos os eventos – clipes que hitam no YouTube (mais dinheiro girando).​
  • Eventos internacionais: Fãs viajam pra Tailândia atrás dos casais favoritos. Ships saem cada vez mais por outros países da Ásia pra eventos, e grandes casais fazem tournê por continentes, como FreenBecky na LATAM em 2025.

Resultado?

 O ship vira como uma “banda de rock de dois”, mas dentro de um nicho de atuação – algo que só existia na música. Mesmo sem nova série, FreenBecky assinam contratos de publicidade e ganham prêmios. No GL, isso empodera mulheres sáficas como consumidoras principais dessa máquina comercial.

Isso parece um jogo em que todas ganham… mas não é bem assim. Porém, isso é assunto para outro artigo.

Fanfic é resposta ao desejo

De yuri japonês a Loquinha na Globo, mulheres sáficas negociam seu espaço: novels criam, séries exportam, fandom remixa. O ecossistema GL prova que romance sáfico é rentável e transformador.

Aproveitem e deem uma olhada no meu Wattpad. Tem inclusive uma fanfic que é a continuação de um MV de FreenBecky – é quase a essência do que é fanfic: eu achei que aquele MV merecia continuar. Não era possível ficar só imaginando o que aquelas personagens iam fazer depois de comprarem o carro, trabalhando nas férias de verão. A personagem da Freen teria coragem de revelar sua paixão pra personagem da Becky? Então eu fui lá e respondi.

Leia a Fanfic  “e se o verão não acabar?”

Captura-de-Tela-2026-02-04-as-08.56.16-1024x541 Novels, GL e fanfics: Mulheres Sáficas no Centro de um Mercado

Perguntas Frequentes

O que significa GL (Girls’ Love)?

GL é a sigla para Girls’ Love, termo usado para identificar histórias centradas em romances e relações afetivas entre mulheres. Ele é muito comum em produções asiáticas, como séries, novels, webnovels, mangás e dramas live action, funcionando como um rótulo que facilita a identificação de romances sáficos.

Qual a diferença entre GL e Yuri?

O yuri é um gênero tradicional japonês, muito associado a mangás e animes, que retrata vínculos emocionais e românticos entre mulheres. Já o GL surge como uma etiqueta mais moderna e comercial, usada principalmente para séries, novelas e produções live action, conectando essas histórias a um mercado global de entretenimento.

Por que o GL virou um fenômeno global?

Porque o GL transformou o romance sáfico em produto cultural rentável. A combinação de novels populares, adaptações em série, fandom ativo e consumo intenso (streaming, eventos, merch) mostrou à indústria que existe um público grande, fiel e disposto a investir nessas histórias.

Qual o papel das Novels no sucesso do GL?

As Novels GL são a base de tudo. Elas permitem publicação serializada, interação direta com leitoras e medição clara de popularidade. Quando uma novel faz sucesso online, ela vira um “teste de mercado” para editoras e produtoras, que adaptam a história para livros físicos, séries ou filmes.

Por que produtoras preferem adaptar novels GL?

Porque é um modelo de baixo risco e alto retorno. A história já tem público, engajamento e demanda comprovada. Em vez de apostar em algo inédito, a produtora compra uma IP que já nasceu validada pelo fandom.

O que tornou GAP the Series tão importante para o GL?

GAP foi o primeiro GL tailandês a explodir internacionalmente. Ele provou, com números e engajamento, que romances entre mulheres podem gerar audiência massiva, fandom global e lucro real. Depois de GAP, o GL deixou de ser “aposta arriscada” e passou a ser visto como segmento fixo de mercado.

Quem são FreenBecky?

FreenBecky é o ship formado por Freen Sarocha e Becky Armstrong, protagonistas de GAP. Elas se tornaram uma marca global, movimentando fanmeetings, campanhas publicitárias, produtos licenciados e eventos internacionais. FreenBecky são prova concreta do poder econômico das mulheres sáficas.

O que são “ships fixos” no GL?

Ships fixos são pares de atrizes que continuam atuando juntas em diferentes projetos, eventos e campanhas. Essa lógica veio do BL e potencializa o consumo: fãs acompanham o casal além da série, sustentando vendas de ingressos, merch, músicas e publicidade por anos.

Por que fanfics são tão importantes no ecossistema GL?

Porque as fanfics funcionam como extensão da narrativa oficial. Elas permitem finais alternativos, mais intimidade, representações diversas e histórias que o mercado não entrega. Além disso, mostram claramente quais temas o público deseja ver, funcionando como um verdadeiro laboratório de demandas.

Por que a Tailândia virou o epicentro do GL?

Porque o país desenvolveu uma escala industrial de produção GL, inspirada no sucesso do BL. As séries geram soft power cultural, impulsionam turismo LGBTQ+ friendly e posicionam a Tailândia como exportadora global de narrativas sáficas.

O GL já está chegando ao Ocidente?

Sim. Um exemplo claro é Loquinha, spin-off da Globo que transformou um romance secundário em microdrama GL oficial. Isso mostra que o mercado ocidental já observa, testa e responde à demanda criada pelo boom asiático.


Esse texto é uma colaboração especial de uma autora convidada 💖 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem, necessariamente, a visão do No Mundinho do GL — mas adoramos abrir espaço pra múltiplos opiniões e perspectivas!

Escrito por:

Rolar para cima