Esse texto é uma colaboração especial de uma autora convidada 💖 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem, necessariamente, a visão do No Mundinho do GL — mas adoramos abrir espaço pra múltiplos opiniões e perspectivas!
Escrito por: Cláudia Krópf
Definitivamente, PLAYER é aquele GL que enganou todo mundo. Começou de forma bem despretensiosa, como uma farofa bem-humorada e leve demais. A primeira impressão é que se trata de uma série bem rasa, mais uma historinha de amor regada a muito humor, o que pode ter feito com que muita gente desistisse de assisti-lo. Mas quem persistiu em continuar acompanhando PLAYER teve a oportunidade de ver um GL de roteiro sensível e com excelentes atuações.
A história começa a ser contada a partir do ponto de vista de Pun. Com isso, os primeiros episódios nos apresentam uma protagonista estabanada em suas inúmeras e engraçadas tentativas de conquistar Ploy, tudo em nome de recuperar o dinheiro que lhe foi roubado por Phethai, irmão de Ploy. Para quem gosta do humor mais escrachado, era quase impossível assistir a PLAYER sem dar risada das situações improváveis ou constrangedoras criadas pela Pun.

Tudo caminhava para uma comédia romântica, até que, no quinto episódio, o tom da história começa a mudar. O início do episódio mostra imagens da Ploy criança. A cena é narrada pela Ploy adulta, que descreve como era sua relação com a mãe. Nessa narração, somos apresentados ao lado triste da Ploy, quando ela diz que aprendeu o que era amor não por recebê-lo, mas ao observar a forma amorosa como a mãe cuidava do seu irmão. A cena me tomou de susto e eu, que sempre tinha uma risada pronta, me vi com um nó na garganta. É nesse momento que PLAYER inicia o seu ritual de passagem.
Aos poucos, PLAYER vai mudando a narrativa, o humor vai saindo de cena dando lugar a uma história mais densa. O espectador começa a conhecer mais profundamente as dores dos personagens: o sentimento de abandono de Ploy e suas “estratégias tortas” de autodefesa; sua relação mal resolvida com a mãe; o sentimento de inferioridade de Pun em relação à sua família; as decepções amorosas que as duas sofreram no passado e que interferiram diretamente na relação delas, sobretudo na questão da confiança; a forma como Jay se esforçava para ser, ou ao menos se sentir, importante para Prang; e, por fim, a culpa da Ploy pela morte da irmã.
É nesse ponto que PLAYER revela sua verdadeira força: ao abandonar gradualmente o tom leve do início, a série aprofunda seus personagens e passa a tratar os conflitos de forma mais consistente. O humor perde protagonismo e dá lugar a situações mais contidas, centradas em diálogos mais densos, que mostram os conflitos emocionais. Com isso, PLAYER deixa de ser uma produção apenas agradável e se consolida como uma série que aposta em densidade dramática e amadurecimento narrativo.
Apesar de não ser um GL tecnicamente perfeito, embora seja bem melhor do que boa parte das produções que conhecemos, PLAYER acerta onde realmente importa: o roteiro é redondinho, sem deixar pontas soltas, e em muitos momentos foge do lugar-comum. Um bom exemplo são as escolhas feitas por Pun e Ploy. Elas não abandonam suas vidas e nem seus sonhos para ficarem juntas. Simplesmente respeitam suas individualidades, resolvem tudo de forma madura e, só então, decidem morar juntas. No fim, o amor, aqui, não apaga quem elas são, ele soma.

Outro ponto que chama a atenção em PLAYER são as atuações, especialmente das protagonistas. Memi Muanfun Baesakul constrói uma Pun cheia de nuances, capaz de nos fazer rir e chorar. Já a Ice Amena Gul entrega uma Ploy fantástica, um dos personagens mais ricos que já vi em um GL. Ela consegue dar uma carga emocional sem exagero, sem cair no dramalhão, em uma das melhores atuações do ano. Além disso, a química entre as duas atrizes é perfeita.

Além do roteiro e das atuações, PLAYER é um dos poucos GLs em que a música entra em cena na medida certa, sem os exageros que normalmente acontecem nas séries tailandesas. Eles abusaram, mas de uma forma bastante competente, de variações da música tema, dando a esta um tom mais melancólico na fase mais densa da série.
No fim das contas, PLAYER não se resume ao humor leve dos primeiros episódios, mas à forma como passa a tratar questões emocionais mais profundas, traumas e sentimentos que dão densidade à narrativa. É justamente esse contraste entre leveza e dor que faz de PLAYER um GL tão especial.
Esse texto é uma colaboração especial de uma autora convidada 💖 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem, necessariamente, a visão do No Mundinho do GL — mas adoramos abrir espaço pra múltiplos opiniões e perspectivas!
Escrito por: Cláudia Krópf








